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da ruptura do espectro, para além do visível

A fotografia é um fenómeno da sociedade, através do qual se buscam estados de sensibilidades e pelos quais possamos aceder misteriosamente a geografias da nossa interioridade. LIXÚRIA oferece através um registo visual, uma estratégia de resistência vital frente aos despojos do quotidiano, com uma dose de rebeldia na técnica da fotografia. Quando falo de despojos, não me refiro obviamente ao lixo enquanto matéria orgânica (ou não) do rotineiro quotidiano, mas refiro-me obviamente ao débil conjunto dos valores resultantes do foro mercantil e moralista assim como à matéria inútil que diariamente nos esforçamos em filtrar com a retina (ou “cortina”) dos nossos olhares. Deverei interpretar esta tua resistência como uma contracultura e uma revolta interior que funciona como válvula de escape? É de revolta interior, de liberdade e de amor que tratam os poetas. E face ao exposto, quero crer que LIXÚRIA é a montante uma fonte resultante do teu olhar no estado selvagem, fora da fusão de lixos com luxos, mas de mensagens que depois veiculadas para jusante, chegam ao espectador sob a forma de “luxuriantes” narrativas e propostas cognitivas do que está mais além do imediato social.


A “poesia visual” no espectro solar do visível abrange uma vasta gama de frequências, do polo vermelho ao polo violeta. Na tua criação, visualmente poética – vulgo fotografia, podemos encontrar todas as cores elementares (e não só), sob a feliz pena de saber que aos meus olhos ela torna-se luz branca. Uma luz que ilumina e encandeia interiormente todas as minhas recônditas enseadas. A decomposição da luz é uma tarefa natural respeitante às gotas da água da chuva ou dos prismas de vidro. E continua a sê-lo. A única imagem digna de um poeta do espectro solar, só pode ser realizada por quem olha o mundo como olhos d’água, como se morfologicamente fosse uma gota de orvalho da fresca madrugada. Estas tuas “lixuriantes” obras participam deste ritual matinal, onde ainda há flores que não roubam a gota de orvalho à flor vizinha, no seu estado existencial mais puro, mais primitivo e mais selvagem. E tu és um poeta do espectro solar.


Analisando a diversidade de perspectivas em cada uma das famílias fotográficas (nas de lugares abandonados e nas de lugares cristãos), percebo que em ambas existe ao mesmo tempo uma ideia de abandono e de culto, ou seja, o da adoração cristã de forma dogmática num e noutro o que convulsivamente busca o maravilhoso, como uma proposta do plano surrealista. Em todo este teu universo, a intensidade cromática consegue através das tuas refracções ou decomposições, remeter-me para um lugar onde possa usufruir o privilégio da intimidade e onde possa decorar as horas com as cores da liberdade. Um lugar onde se cruzam avenidas que me encaminham subtilmente com aguçadas miradas críticas, ao mesmo tempo que sarcásticas e parodiantes.

Miguel de Carvalho
Cabo Mondego, 15 de Outubro, 2012

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